De vez em quando, um game aparentemente muito bom é anunciado em uma E3 ou outro grande evento e causa uma enorme ansiedade nos jogadores: “Parece ser demais! Mal posso esperar para jogar esse aí!”... Mas quando esse game é lançado, logo decepciona o público ao não entregar o que prometeu (como Warcraft 3 Reforged), ser uma continuação quase igual ao anterior (como The Division 2 e Ghost Recon Breakpoint) ou simplesmente ter tantos bugs que parece injogável (como Street Fighter V no lançamento e seus problemas de conexão, ou Fallout 76 e Anthem por… Bem, por praticamente tudo).

Tem também o caso daqueles games que não emplacaram e não demoraram para caírem no esquecimento, igual aos tristes casos de Battleborn e Evolve, por exemplo. Em ambos, nem mesmo transformá-los em “free to play” foi o suficiente para salvá-los do fechamento dos servidores… Mas será que este modelo de gratuidade para baixar e jogar não poderia ser benéfico a outros games?

Mas claro que sim! Títulos como Destiny 2 e StarCraft 2 estão aí para provarem isto. E nós aqui do Trocajogo resolvemos contribuir nesta discussão com nossas opiniões de outros games que também poderiam extrair grandes benefícios caso seguissem por este modelo. Mas claro, como em qualquer discussão, não somos os “donos da verdade” - queremos ouvir (ou ler) suas opiniões também caso tenha alguma para partilhar.

Vamos à lista?

STREET FIGHTER V

Convenhamos: se você vai lançar um game com enorme foco no multiplayer (ou seja, poucos modos offline para serem desfrutados) e com uma base de lutadores iniciais muito pequena já pra faturar não apenas na venda separada de outros lutadores como também de trajes extras, mais valia ter feito deste game um “free to play” desde o início…

Street Fighter V pode hoje em dia ser um dos games com o cenário profissional mais lucrativos entre todos, mas em seu lançamento passou raspando de ser uma enorme decepção (ainda hoje, há quem prefira continuar no Street Fighter IV mesmo). Atualmente, podemos ver quase sempre o game em promoções muito boas… Então por quê já não torná-lo gratuito para ser jogado? A grana que a Capcom tanto aumeja poderia continuar entrando dos lutadores e trajes à parte, e Street V poderia sonhar em ter mais do que 2.000 jogadores ativos - coisa que é bem verdade atualmente…

FOR HONOR

Este redator aqui admite que realmente adora For Honor mesmo, e o joga quase diariamente. O game é muito interessante em sua proposta de unir ação e luta, e traz um sistema bastante original de gameplay… Mas pelos deuses, encontrar partidas por aqui é um desafio que muitas vezes nos faz desistir de jogar e procurarmos diversão em outro lugar.

For Honor, inclusive, já esteve nas ofertas da Playstation Plus, bem como no Games with Gold e ainda foi dado gratuitamente para o PC em plataformas como o Uplay - tudo isto ajudou o game por algum tempo a aumentar sua base de jogadores, mas infelizmente não demorou até tudo voltar à normalidade do ostracismo. 

Por isso, dona Ubisoft, mais valia tornar esta guerra medieval multicultural um bom “free to play” definitivo, pra acender no público a centelha de interesse em uma continuação para este que é um game de proposta tão bacana e interessante, mas que atualmente é famoso por quase todos os motivos errados.

E por falarmos em “fama através do desastre”...

FALLOUT 76

É até complicado pensarmos em formas viáveis de “salvarmos” a primeira empreitada multiplayer do universo de Fallout depois de tanta besteira feita pelo estúdio de Todd Howard, mas garantimos que a criação de um modelo de assinaturas premium não seria de forma alguma um bom caminho para isto. Ah, fala sério, Bethesda!

Ainda que Fallout 76 já esteja sensivelmente melhor em termos de gameplay após muitos e muitos patches de correção, os bugs ainda passeiam livres pela Wasteland. Não tem por aí muita gente louca para comprar este game, nem mesmo se a promoção for muito boa.

Então a solução parece óbvia, e ela seria tornar Fallout 76 gratuito para ser baixado e jogado. Microtransações cosméticas e planos para assinantes poderiam ser mantidos na tentativa de faturar mais um $$$, mas já passou da hora da Bethesda entender algo radical precisa ser feito se ainda quiserem que o game tenha uma chance de salvar um arremedo de carisma da galera. 

ANTHEM

Lógico que depois de falarmos de Fallout 76, a enorme escorregada na casca de banana dada pela EA/BioWare em 2019 não poderia ficar de fora desta lista. É verdade que Anthem ainda está sendo retrabalhado e que o estúdio continua firme em seus esforços para salvar esta IP que tanto potencial tinha e tanto decepcionou o público em geral… Mas é necessário percebermos a realidade aqui: assim como em Fallout 76, não há por aí muita gente que ainda não tenha comprado Anthem disposta a abrir a carteira para dar ao game uma chance.

O maior problema vai ser mesmo se a EA quiser de fato criar um “Anthem 2.0” totalmente desenvolvido para resgatar o game do esquecimento e acabar querendo vender isto como um grande pacote à parte. Significaria que teríamos que comprar o jogo-base e também esta “DLC”? E quem já tem o game, teria que investir ainda mais grana neste “salva-vidas” de robô gigante?

Nossa opinião: Anthem gratuito e pacote “Anthem 2.0” cobrado por fora, ou guardado para uma continuação completa. Fazendo do game um “free to play”, a BioWare poderia se concentrar em melhorar a experiência de forma geral e criar interesse na galera para um segundo a ser lançado no futuro.

OVERWATCH

Finalizamos a lista talvez com o game mais controverso nela presente, o amado por legiões Overwatch. Após o anúncio de que a Blizzard vai mesmo lançar um Overwatch 2 - e que ele parece praticamente igual ao primeiro, dando a impressão de ser mais uma DLC que uma continuação de verdade - a comunidade fiel ao título que mistura muito bem o FPS com elementos de estratégia e RPG praticamente passou a implorar que o primeiro game torne-se um “free to play”.

Sinceramente, depois de vermos o teaser de Overwatch 2 liberado pela Blizzard, seria muito justo se seu antecessor de fato ficasse liberado para ser baixado e jogado na gratuidade. Isso manteria uma base de fãs sólida e interessada em uma continuação - algo que, no momento, não é bem assim.

Na verdade, fala-se o mesmo que já se falou no caso de The Division 2Ghost Recon Breakpoint, os dois fracassos financeiros da Ubisoft em 2019: “Pra quê vou pagar neste segundo o preço de um lançamento se ele mais parece uma expansão do primeiro, só que com menos jogadores online?” Em um ano em que ainda pode ser lançado o mega-controverso Diablo Immortal e após o fiasco que foi Warcraft 3 Reforged, melhor abrir bem o olho, Blizzard...