A última BlizzCon foi marcada por dois momentos em especial: no melhor deles, os presentes receberam a notícia de que o clássico Warcraft III receberia um Remaster, algo muito aguardado pelos fãs. Já no pior ponto da feira (ao menos para o público), recebemos o anúncio de uma novidade bastante duvidosa para a série Diablo.

E não estamos falando nem de um Diablo IV, nem de um Remaster dos dois primeiros games, algo também muito pedido pela legião de fãs.

Diablo Immortal será um novo game a levar o título da franquia infernal, porém será lançado com exclusividade ao Mobile (iOS e Android). Claro que o público – em sua maioria jogadores de PC e consoles – recebeu extremamente mal esta notícia, ainda mais quando foi confirmado de que não há qualquer plano deste Immortal aportar nem ao menos ao PC. Chegou-se ao cúmulo de um dos expectadores tomar o microfone destinado às perguntas dos fãs aos desenvolvedores somente para questionar se aquela não era “uma piada de primeiro de abril atrasada”... Um verdadeiro fiasco.

Neste momento, a mídia e os fãs ainda perguntam-se o que poderia ter acontecido para que a Blizzard acreditasse ser uma boa ideia fazer tal anúncio diante do público hardcore que uma vez mais compôs a plateia da BlizzCon. Muitos nem mesmo acham que foi errada a decisão da empresa de tentar abocanhar o mercado de Mobile, bastante lucrativo no momento.... O problema mesmo foi ter anunciado com tanta empolgação um produto que todos consideram bem abaixo dos padrões Blizzard de qualidade em meio a um palco onde todos os anos são esperadas novidades de tirar o fôlego.

Para piorar ainda mais as coisas, Diablo Immortal não está sendo produzido somente pela equipe da própria Blizzard: o título está principalmente nas mãos da asiática NetEase, empresa responsável por muitos games Mobile e amplamente conhecida por suas práticas de monetização que geralmente promovem um cenário de “pay 2 win” no gameplay de seus trabalhos. Una-se tudo isto ao uso dos controles virtuais dos celulares e tablets que normalmente não oferecem muita precisão ao jogador para este tipo de ação frenética e temos aí a receita completa para um episódio pra lá de controverso.

Não restam dúvidas de que Diablo Immortal, mesmo até sendo interessante à primeira vista, não é um título destinado aos fãs mais hardcore da franquia. O público alvo é o jogador mais casual que vai aproveitar o game como um passatempo para se entreter “on the go”, mas sem preocupar-se com builds complexas, farms extensos e outros elementos mais profundos de gameplay.

Resta a Blizzard – ainda chocada com a reação tão negativa que recebeu – mostrar ao mundo que estavam todos errados em duvidar de Immortal.... Ou apressar-se para trazer logo alguma novidade sobre Diablo IV no intuito de acalmar os ânimos e jogar uma pá de cal sobre a desastrosa questão.